25 de nov de 2009

Tolice


Esses dias, ouvi/vi em algum lugar uma citação àquela parte da história do Pinocchio que fala de uma "ilha dos prazeres", um lugar "onde os meninos malvados vão e se transformam em burros" e fiquei pensando que ideia genial. Realmente, o autor desse clássico conseguiu representar muito bem o que na época dele provavelmente não estava tão disseminado como hoje em dia.
É bom e necessário ter prazeres, diversões, mas tudo tem seu lugar, e hoje em dia cada vez mais parece que a vida precisa ser um grande parque de diversões. As propagandas são todas engraçadinhas, em nome da criatividade. Os telejornais têm de fazer piadinhas bobinhas pra agradar o público, eles que têm um papel sério. Até as igrejas têm entrado na dancinha.
Ser engraçadinho não é sempre a melhor maneira de fazer o que precisa ser feito, na esfera da vida pública. Rir de tudo é desespero, diz a música. Uma coisa é ser alegre, outra é ser bobalhão.
Na minha opinião, em âmbito geral foi-se a época do moralismo extremo e hipócrita (ao menos no ocidente) que levou geração de jovens como a dos anos 60 a protestarem por um mundo diferente (muitos deles por sinal foram fazer uma longa sesta na tal ilha). Mas saiu-se da opresssão pra libertinagem, dois extremos. Jovens têm a tendência de testar os extremos, é típico da fase. Mas jovens (e os nem tão jovens) também têm a esperteza, que é bem melhor, por sinal. Quem se ama se cuida, não poderia se esquecer jamais.
A geração atual de jovens teria a obrigação de fazer bem a transição pra um papel ideal de sociedade. Mas muitos estão nessa, e não percebem que o tempo na vida é curto e a indigestão pode ser bem mais prolongada que uma grande rave.
Acho que é preciso mais do que nunca de equilíbrio, cada pessoa precisa dedicar tempo a coisas sérias (mas não graves) como o bom e velho trabalho, e também refletir sobre sua própria vida, tomar auto-consciência.
E com a leveza vinda desses momentos de diversão, prazeres e lazeres. Isso é saúde e modernidade no bom sentido da palavra. Ou continuamos agindo como macacos cheios de tecnologia e informações e correndo como moscas tontas pra lá e pra cá nos ventos da vida, sem saber fazer bom uso delas. Nas tantas décadas da modernidade, gerações fúteis têm corrido o tempo todo atrás da nova onda, ondas essas que são cada vez mais rápidas (ainda bem) e sem substância.
A verdade dói? A burrice é bem pior.

Um comentário:

Le Daros disse...

Muito bem colocadas suas reflexões, Marcos. Infelizmente pensar não está na pauta de vida da maioria infantilizada. Sigamos em frente!! Há muito à ser feito...