29 de ago de 2007

Um Lenço Farrapo


Sexta-feira passada, contrariando todos os instintos de autopreservação que me seguravam em casa, resolvi ir ao lançamento do curta-metragem “Um Lenço Farrapo” de Leonardo Vivian. A obra, totalmente produzida por caxienses, é baseada num poema de Ubirajara R. Constante “O Retorno do Bravo” e trata de um episódio que teria ocorrido durante a Guerra dos Farrapos. Começada a projeção, logo de cara pude perceber o esmero com que a produção tratou da reconstituição dos cenários, objetos e roupas da época. Também ficou evidente a qualidade da mixagem de som, possibilitando ao expectador entender bem as falas dos personagens. A história em si, não é das mais originais, até mesmo porque quando se trata de filmes de guerra, as motivações dos personagens seguem mais ou menos os temas tradicionais, – heroísmo, vingança, traição, busca por glória, riqueza, etc... Isso no entanto, não desmerece a escolha do diretor, uma vez que recriar passagens da Revolução Farroupilha sempre é bem-vindo, dada a escassez de produção cinematográfica sobre a história rio-grandense. No decorrer do filme também se destacou a bela trilha sonora composta por Valdir Verona, num esmerado esforço para sublinhar certas passagens. Como nem tudo são flores, há alguns aspectos que poderiam ter sido melhor trabalhados. Uma edição final um pouco “ansiosa”, com cortes que em alguns momentos parecem quebrar o ritmo da narrativa e também a atuação dos protagonistas (pai e filho) que ficou um pouco aquém do padrão geral do filme. Notadamente Omair Trindade, que apesar de ser um grande tradicionalista e conhecedor profundo da cultura gaúcha, não é exatamente um ator – especialmente para um papel principal.
De qualquer forma, no balanço geral, o resultado é bastante positivo. Produzir um curta de 19 minutos com verba escassa (apenas parcialmente coberto pelo Fundoprocultura), em locações difíceis e ainda se tratando de filme de época não é obra para qualquer um. A lamentar, apenas a pouca presença de público, que além de não assistir a um bom filme, perdeu a oportunidade de trocar idéias e saber mais da obra diretamente com o diretor e o assistente de direção.
P.S.: O diretor relatou que as duas sessões realizadas no dia anterior no Centro de Cultura Ordovaz estavam lotadas – ainda bem!

Um comentário:

Marcos disse...

Legal, Leandro. Eu ouvi falar bem desse curta na mídia e me surpreendi de saber que o diretor e o autor da trilha sonora são amigos meus. Há mais uns dois ou três curtas locais que andaram saindo, é interessante ver que tem pessoas trabalhando num nível mais profissional aqui na serra.