18 de mai de 2008

Um filme para poucos

Hoje, ou melhor, há uma meia hora, quando ontem era hoje, assisti a um filme muitíssimo interessante, bem-feito, tocante e relevante. Um filme de 2003, que na época praticamente passou batido por se tratar de um tema nada comercial: os “desaparecidos” políticos durante a ditadura militar na Argentina de 1976 a 1983. Embora já conhecesse bem essa história, vê-la retratada na tela de forma tão tocante, com uma direção segura e ótimas atuações (de Emma Thompson, Antonio Banderas, Ruben Blades e outros), a torna um despertador de consciências. Não há como não fazer algumas conexões com outros martírios provocados por humanos. È impossível não lembrar do que aconteceu na Alemanha de Hitler, na Rússia de Stálin, no Chile de Pinochet, na China de Mao e tantos outros casos em que governos ou ditadores – sejam de esquerda ou de direita – se acham dotados de uma autorização divina para decidir, a seu bel-prazer, quem deve calar, sofrer ou morrer por não se enquadrar no que se costuma chamar de “interesse da nação”. Talvez muitas pessoas ao lerem um texto como esse pensem que eu vivo noutro mundo por refletir sobre coisas antigas. Mas basta ir um pouco além da página principal dos sites ou do caderno de esportes dos jornais, para ver o que, por exemplo, faz o governo ditatorial militar de Mianmar, onde dezenas de milhares de pessoas estão morrendo – após o trágico ciclone de algumas semanas - pela simples e psicótica preocupação desses senhores de que a ajuda humanitária vinda do exterior cause problemas para a manutenção de tal regime (onde o que menos interessa é a saúde e a sobrevivência de sua miserável população). E a fila é longa. Na África, onde genocídios, guerras tribais e corrupção oficial dão a tônica, daria para escrever um tratado sobre usos e costumes ditatoriais. Na Coréia do Norte, ai de quem abrir a boca contra o “reizinho” déspota que mantém seu regime a base de chantagens atômicas. E assim por diante. Enfim, abrir o olho e manter as antenas ligadas nunca é demais. Com tantas coisas para se preocupar num mundo cada vez mais marcado pelo egoísmo, manter noções básicas como constituição, direitos humanos, imprensa livre são bênçãos contra as forças do atraso.
Ah, o filme se chama “VISÕES”.

2 comentários:

carmenc disse...

Acho que uma das tarefas do cinema é não nos deixar esquecer de alguns fatos.

Contribuo indicando outro filme nessa linha: Kamchatka, de Marcelo Piñeyro, Argentina, 2002. Tem a crítica no site abaixo:
http://www.contracampo.com.br/criticas/kamchatka.htm

abraço
Carmen

Anônimo disse...

acho que o melhor é se isolar e criar seu próprio país, com suas próprias leis... e ser seu próprio ditador...

abraços

nieder