22 de jun de 2007

Prova prática! E teórica?

Sábado, 14 de janeiro de 2006, manhã de céu nublado, mormaço e eu lá, em frente a um Colégio Estadual, cidadezinha do interior, lendo uma edição antiga da revista TRIP (edição de dezembro de 2004) e pensando: manhã perdida...
Ah, já ia esquecendo de mencionar o porquê de eu estar ali. Acompanhava a Camila (minha noiva), que estava prestando concurso, vaga de Nutricionista, para a Prefeitura daquela cidade!
Não mais do que derrepente, começa a diversão!?
Não sabia bem pra que vaga aquelas pessoas estavam se candidatando, mas tinha prova teórica e prática. Os candidatos saiam da teórica e iam para a provação (prova prática), que consistia em pintar três ou quatro pedras do meio fio de uma calçada! Material não faltava: vassoura, tinta, balde para tinta, brocha, balde com água. Difícil mesmo era fazer a escolha certa e realizar o trabalho da maneira correta!

- Pinta quatro pedras do meio fio – explicava o fiscal!
- Como eu faço? - perguntavam alguns!
- Não sei, tu que é o pintor! - respondia ele!
Tá certo - pensava eu - afinal prova é prova!

As possibilidades eram infinitas! Uns varriam primeiro, outros pintavam. Uns limpavam, lavavam e depois pintavam, outros não limpavam. Afinal de contas pintura é arte e as formas de fazer arte são infinitas! Ou não?
Pérolas da pintura contemporânea. E eu ali, testemunhando tudo!

- Meu carro está atrapalhando? Perguntou ao fiscal um rapaz que, como eu, acompanhava uma candidata.
- Não! - disse o fiscal, pouco antes de uma das candidatas usar o mesmo carro como escora para vassoura enquanto pintava.
Por isso que não estava atrapalhando – pensei - Uma exclusiva “escora para vassoura de limpeza de meio fio Tabajara”. Que criatividade! – se fosse o fiscal, teria dado pontos extras a ela por conta do poder inventivo!
Entre um candidato e outro me perguntei: - Onde será que oferecem “Curso Preparatório para concurso que tem como prova prática pintura de meio fio”?

- Próximo!
Candidato com ar de tranqüilidade, esperto, escolheu as ferramentas que precisava para fazer o serviço. Sem titubear pegou o balde de tinta, brocha e vassoura. Varria devagar, como tem que ser! Parava...respirava...descansava...como tem que ser! Nem muito rápido, nem muito devagar, usando bem seu tempo em prol da ociosidade...como tem que ser!
Grande garoto! Pegou dicas com o pessoal da Prefeitura, hein!?
Forte candidato! - pensei - Esse estudou no tal lugar que dá “Curso preparatório para prova prática de pintura de meio fio”?
Quem sabe não? Pode ser que tenha nascido pra coisa!

- Acho que peguei a água! - Exclamou uma candidata vermelha de vergonha. Estava nervosa a coitadinha! Penso que, se tivesse disfarçado, talvez eles nem percebessem e ela até passaria por caprichosa esfregando a brocha com água no meio fio!

- Quem já fez a prova não pode ficar aqui! - Gritou o fiscal chefe.
Vai que passa cola pra alguém! – pensei.

Lá vem a moça prendada! Leveza na execução da tarefa. Pegou a brocha, a água e lavou as pedras, direitinho! Depois pegou a vassoura e varreu com o mesmo esmero! Garanto que se tivesse desinfetante, ela usaria.

E eu lá, entre uma e outra pintura lendo minha TRIP de dezembro de 2004, pensando na vida...
Pura diversão!
Afinal de contas, que critério é usado nesses concursos feitos por Prefeituras, que possa ter algum fundamento? Escolher as pessoas pela forma como pintam um meio fio? Não seria mais simples e eficaz escolher por outros atributos? Psicológico, físico talvez, quem sabe por caráter? Sei lá, qualquer outro que não por quem pinta melhor um meio fio?
Acredito que não seria tão difícil ensinar isso para o sortudo que passasse no concurso! Convenhamos, a pressão de um teste sempre nos deixa nervosos, o que por conseqüência atrapalha o nosso desempenho. Sem contar que era chato perceber que os fiscais não faziam cerimônia nenhuma em rir pelas costas dos candidatos.
Dias depois fiquei sabendo que a vaga era para Operário e o pior de tudo, pasme, a prova prática era ELIMINATÓRIA.
E eu lá, lendo e pensando, - Não teria chance nenhuma nessa prova prática. Também, não lembro em minha formação durante a vida ter aprendido como se pinta, ainda mais de forma correta, um meio fio! Sem contar que isso, com certeza, não constava na relação do conteúdo que ia cair na prova!

Diversão!?
Que Nada!!
Sacanagem! Pura sacanagem!

2 comentários:

Cristian disse...

Legal, legal.

Alex disse...

Seria engraçado a ponto de me fazer rir por alguns bons minutos, enquanto lembraria dessa crônica.
Mas... Por que será que será que esta "realidade" bloqueia o meu riso?